domingo, 13 de setembro de 2009

"Bases militares querem esmagar movimento revolucionário"


A instalação de sete bases militares dos Estados Unidos na Colômbia reabriu o debate sobre o pretexto utilizado pelo país norte-americano para encobrir seu real objetivo na América Latina. O Plano Colômbia foi justificado como forma de combater o narcotráfico, já que a maior parte das drogas produzidas seria consumida nos EUA. Mas, de acordo com o coronel-aviador da Força Aérea Brasileira, Sued Castro Lima, a grande maioria das drogas consumidas nos EUA é produzida no próprio país.

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Para ele, a intervenção estadunidense na Colômbia serve para "promover o esmagamento dos movimentos populares ou revolucionários que surgem na América Latina e intimidar ou neutralizar iniciativas regionais autônomas nos campos econômicos e de defesa, como é o caso da União de Nações Sul-Americanas (UNASUL)".

Sued é engenheiro civil e já participou de diversas missões militares nos EUA, Israel, Argentina, Chile e Rússia. É membro fundador do Observatório das Nacionalidades, entidade de pesquisa ligada à Universidade Federal do Ceará (UFC) e à Universidade Estadual do Ceará (UECE). Leia, a seguir, a entrevista que Sued concedeu à Adital.

O que representa, para a América Latina, a instalação das bases militares na Colômbia? E para o Brasil?

Segundo o pensador francês Michel Foucault, um dos instrumentos do exercício do poder resulta da presença física do dominador. Através dessa presença, pode ostentar a força destruidora que lhe é própria, intimidando o mais fraco.

Já o estrategista britânico Liddell Hart, que viveu no século passado, considerava que um dos maiores objetivos estratégicos do comandante militar é o de ter acesso prévio ao mais amplo grau de conhecimento sobre as forças do virtual inimigo, como ocupam o terreno, como pensam, quem são seus chefes, como se preparam, enfim avaliar seus pontos fortes e suas vulnerabilidades.

A presença militar no território de potencial conflito armado ajuda a resolver bem tais questões, pois possibilita a observação e o acompanhamento dos acontecimentos que interessam ao potencial invasor, abrindo-lhe acesso a informações cruciais para o desencadeamento de seus eventuais propósitos de intervenção militar.

A concessão do governo de Uribe à instalação em território colombiano de sete bases militares operadas por milhares de soldados norte-americanos tem duplo efeito: fere a soberania de seu país e mina a União das Nações Sul-americanas (Unasul), com o seu Conselho de Defesa, ainda embrionários, filhos diletos da política externa e da estratégia de defesa regional desenvolvidas pelo governo Lula.

O senhor desconfia da justificativa dos EUA, que explicam a implantação das bases militares como mecanismo de combate ao narcotráfico na região. De que modo essas bases podem ameaçar a soberania dos países latino-americanos?

O argumento de fachada de combate ao narcotráfico há muito se perdeu. Desde que foi iniciado, no ano de 2000, o Plano Colômbia tem redundado em enorme fracasso. A produção de cocaína vem aumentando, exatamente porque aumentou o mercado, concentrado em sua maior parte no EUA.

Segundo o Washington Office for Latin America, órgão do governo dos EUA, o preço da cocaína no país caiu 36% nos últimos anos. A queda do preço é mais resultado do incremento da oferta do que de uma redução da demanda. Os EUA continuam sendo os maiores consumidores de cocaína do mundo, com 2,5% da população viciada na droga, algo em torno de 7 milhões de pessoas.

Da produção sul-americana que segue para os EUA, apenas 10% do lucro fica nos países produtores, enquanto 90% vão para as mãos das máfias que operam dentro dos EUA. São dados que indicam que o território onde deveria se travar o principal combate contra o narcotráfico é o próprio território norte-americano e não a selva amazônica.

Ainda sobre o tema droga, a Folha de São Paulo publicou (23/08/2009) uma informação surpreendente: durante a era Taleban (1996-2001), a produção de ópio foi totalmente desmontada no Afeganistão. O líder do grupo, mulá Mohammad Omar, considerava a droga "anti-islâmica", e ameaçava executar quem cultivasse a papoula. Atualmente, com a presença de tropas estrangeiras no país, a região é responsável pela produção de 70% do ópio no mundo.

Afinal, o que sobra evidente é que o combate ao narcotráfico na América Latina é apenas o que se chama em contra-informação de história-cobertura. Em 1986, Reagan incorporou à Doutrina de Segurança Nacional a National Security Decision Directive (NSDD), segundo a qual camponeses cultivadores de coca, militantes de esquerda, guerrilheiros marxistas, governos populares nacionais e grandes traficantes fariam parte de um estranho complô destinado a destruir a integridade e o poderio político dos EUA.

O tráfico funciona, assim, como pretexto para justificar ações militares destinadas a promover o esmagamento dos movimentos populares ou revolucionários que surgem na América Latina e intimidar ou neutralizar iniciativas regionais autônomas nos campos econômicos e de defesa, como é o caso da União de Nações Sul-Americanas (UNASUL).

Como o senhor avalia a postura dos países da América Latina diante da implantação dessas bases?

Identificam-se claramente dois tipos de postura: os lenientes e os resistentes. Formam no primeiro grupo os governos explicitamente de direita, como os da Colômbia, Peru, México e os golpistas de Honduras. Esses últimos sequer contam com o reconhecimento da esmagadora maioria da comunidade internacional de nações e dos órgãos multilaterais, como a ONU e a OEA.

No segundo grupo alinham-se o Brasil, Argentina, Equador, Venezuela, Bolívia, Paraguai, Uruguai, Chile, Cuba, Nicarágua, El Salvador e outros, constituindo uma ampla e significativa maioria, o que não deixa de ser um fato novo, comparado à situação que existia há poucas décadas, em que o alinhamento com os EUA se dava automaticamente.

Sob esse ponto de vista, merece destaque a política externa do Governo Lula, que tem marcado posição de qualidade nos principais litígios internacionais ocorridos recentemente.

Em nível mundial, qual tem sido o papel desempenhado nas bases militares estadunidenses? Como as nações mundiais têm encarado essa intervenção militar?

A estratégia global dos EUA reproduz o que é desenvolvido na América Latina. O império faz-se presente em grande parte do planeta explorando e oprimindo povos, impondo, enfim, sua vontade pela força da corrupção e das armas.

Esteve presente em praticamente todos os conflitos bélicos que ocorreram no planeta ao longo dos séculos XX e XXI. Levaram morte e destruição à Coreia, Vietnam, Laos, Iraque e Afeganistão, para citar apenas os eventos mais destacados, sem esquecer os ataques atômicos a Hiroshima e Nagasaki.

Atualmente, os EUA mantêm cerca de 820 bases em 60 países. Dispõem de um exército de 1,5 milhões de homens, dos quais 300 mil no exterior, sendo metade no Iraque e no Afeganistão. A outra metade espalha-se por outros países. O Grande Império do Norte gasta em seu aparato bélico o equivalente a 42% dos gastos militares globais, algo próximo a 610 bilhões de dólares.

Considero que as nações que não abdicam de sua soberania certamente repudiam tal estratégia de ocupação. Felizmente, o Brasil integra esse grupo de países e tem mantido firme ação diplomática de negação da presença hegemônica dos EUA nos países latino-americanos.

Fonte: http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=115483&id_secao=7


terça-feira, 8 de setembro de 2009

Deus e Diabo na Terra do Pré-Sal, por Daniel Thame



O que poderia ser (e é) a melhor notícia dos últimos anos para os brasileiros, com a descoberta e exploração de imensas reservas de petróleo na camada conhecida como Pré-Sal, está se transformando numa inacreditável queda de braço, que tem como pano de fundo o interesse eleitoral. Mais precisamente, as eleições presidenciais de 2010.


Confira o artigo na íntegra no jornal Pátria Latina.


A exploração do Pré-Sal, que insere o Brasil como um dos maiores produtores de petróleo do planeta, irá gerar recursos que, se aplicados como deseja o presidente Lula, contribuirão para reduzir as desigualdades sociais num país que, a despeito dos avanços dos últimos anos, tem gente que vive dentro de padrões europeus e norte-americanos e gente que sobrevive em condições africanas.
A exploração dessa riqueza deveria ser motivo de orgulho, unir o país e fazer, ainda que momentaneamente, com se esqueçam diferenças político-partidárias, que tantos danos vêm causando ao desenvolvimento do Brasil.
Deveria, mas não é motivo de orgulho, muito menos de união.
Ocorre justamente o contrário.
Como o início da exploração de petróleo depende de regulamentação e o processo passa necessariamente pelo Congresso Nacional, trava-se uma disputa em que o que menos interessa são os benefícios gerados pela extração das reservas localizadas no mar territorial brasileiro.
E o que mais interessa é a eleição de 2010.
Entra em cena, de novo, a dupla DEM-PSDB (este com seu apêndice, o PPS), disposta a emperrar a aprovação da regulamentação, por considerar o processo apressado e a proposta enviada pelo governo exageradamente nacionalista.
Nada a estranhar para quem entregou a Vale do Rio Doce, as empresas da telefonia, as companhias de eletricidade, tudo a preço camarada e ainda com financiamento público.
Mas, não é apenas isso.
Democratas, tucanos e seus penduricalhos partidários temem que o Pré-Sal traga dividendos eleitorais ao presidente Lula e por extensão à sua ungida para sucedê-lo, a ministra Dilma Roussef. Que, além de petróleo, jorrem votos em profusão, capazes de manter o PT mais quatro anos no Palácio do Planalto.
Daí que é melhor deixar o petróleo quietinho nas profundezas do oceano, adiando sua exploração para 2011, 2012, quem sabe não apenas pela brasileira Petrobrás, mas também por empresas estrangeiras, que o tal neoliberalismo, que muitas vezes não apenas rima mas também se confunde com entreguismo, existe é para isso mesmo.
Dane-se que os excluídos continuem excluídos, que a saúde e a educação continuem capengando, já que a se preservar a proposta de Lula, parte dos recursos gerados pelo Pré-Sal serão carreados para esses setores.
O que importa é a política, sempre a política, naquilo que ela tem de pior.
Dane-se, também, o povo brasileiro, que acaba sendo a vítima dessa batalha entre Deus e o Diabo na Terra do Pré-Sal.

fonte: http://www.patrialatina.com.br/editorias.php?idprog=6fb52e71b837628ac16539c1ff911667&cod=4727


"Não aguento mais viver nesta miséria!"
(Manuel, em "Deus e o Diabo na Terra do Sol" - Glauber Rocha)

Sim, o Brasil tem pressa no Pré-Sal


Apesar do esperneio sem argumento da oposição, o presidente Lula felizmente está disposto a manter o regime de urgência constitucional para a tramitação dos projetos que regulamentam a exploração do petróleo da camada de pré-sal. Uma boa notícia. Sim, porque o Brasil tem - e está correto em ter - urgência em definir o novo marco regulatório e agilizar os procedimentos para iniciar, o quanto antes, a exploração de um recurso que pode sustentar avanços civilizacionais de fundo no país.

http://www.ujs.org.br

O consórcio oposição-mídia hegemônica brada contra a urgência sob o argumento de que o governo demorou mais de um ano para elaborar os projetos e, agora, quer impor celeridade aos debates congressuais, o que seria uma maneira de cercear opiniões divergentes.

A queixa, no entanto, não procede. Para começo de conversa, a Lei do Petróleo de FHC (Lei 9478/97) foi votada em regime de urgência constitucional. E, pior, tratando de tema espinhoso e prejudicial aos interesses nacionais, no caso a quebra do monopólio do Estado no petróleo.

Depois, que os debates governamentais sobre o novo marco não foram realizados propriamente às escondidas. Desde o anúncio da descoberta das reservas do pré-sal que farto noticiário tratou do tema e discutiu, publicamente, as possibilidades em estudo - concessão ou partilha, criar ou não uma nova estatal, a questão do fundo social, a proposta de recapitalização da Petrobras, além da interminável controvérsia sobre os royaltes. Ou seja: ninguém pode dizer que foi pego de surpresa com os quatro projetos enviados.

Depois, 90 dias não são 90 minutos. Caso queiram contribuir com as discussões, é tempo suficiente para realizar audiências públicas, consultar especialistas, analisar os modelos de outros países. Por outro lado, a tradição de matérias complexas e de interesses múltiplos lançadas ao Congresso sem maior empenho do executivo, é de trânsito lento e resultado incerto - que o digam as inúmeras tentativas de reforma política, tributária e outras.

Mas o problema em questão não é de tempo, muito menos de exercício legislativo. O que não quer a oposição é que as propostas estejam em evidência em 2010 - ou antes - para que o governo não recolha os frutos eleitorais de uma agenda tão positiva para o Brasil. Além disso, como o governo escolheu um eixo patriótico nesta questão, para os privatistas convêm a tática do deixa-como-está.

Em suma, para tucanos, demos e apêndices os interesses nacionais que se subjuguem aos seus desesperos políticos. Mas o Brasil não pode esperar e deve, sim, ter pressa no pré-sal.

Fernando Borgonovi é diretor de Comunicação da UJS



segunda-feira, 7 de setembro de 2009

"O PRÉ-SAL: modelo de soberania e desenvolvimento ou uma nova privatização?"

Lula fala de pré-sal como 2ª independência e convoca sociedade

No pronunciamento que fez à Nação na noite deste domingo (6), em cadeia de rádio e televisão, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a participação popular é fundamental para o fortalecimento da democracia. E chamou a sociedade para debater junto com o Congresso o novo modelo de exploração do petróleo da área do Pré-sal proposto pelo governo.

No tradicional pronunciamento feito para saudar o Dia da Independência, Lula disse que sua mensagem seria diferente da dos anos anteriores, que tinham o objetivo de enaltecer o passado para pensar o presente. De acordo com o Presidente, o pronunciamento dedicado ao 7 de setembro neste ano seria para festejar o futuro e celebrar uma nova independência, que tem o nome de Pré-sal e a forma dos projetos enviados esta semana ao Congresso, que tem como conteúdo a mudança na regulamentação da exploração de petróleo e gás para que esta riqueza seja corretamente utilizada para o bem do Brasil e de todos os Brasileiros.

“É comum que o 7 de setembro sirva para a gente enaltecer o passado e pensar o presente. Desta vez é diferente: este é o 7 de setembro do Brasil festejar o futuro. De celebrar uma nova independência. Esta nova independência tem nome, forma e conteúdo. Seu nome é pré-sal”, diz no início de seu pronunciamento de cerca de 12 minutos.

Lula clama a população a acompanhar as discussões do novo marco regulatório elaborado pelo governo e aproveita para criticar a oposição, que faz obstrução na Câmara como protesto ao regime de urgência dos quatro projetos enviado esta semana ao Congresso.

“Peço a cada um de vocês que acompanhe passo a passo as discussões destas leis no Congresso. Que se informe, reflita, e entre de corpo e alma nesse debate tão importante para os destinos do Brasil e para o futuro de nossos filhos e netos. (...) O embate e a paixão política fazem parte do universo democrático, mas não podemos deixar que interesses menores retardem ou desviem a marcha do futuro. Uma democracia só se fortalece com a participação da sociedade. Por isso se mobilize, converse com seus amigos, escreva pra seu deputado, seu senador, pra que eles apoiem o que é melhor para o Brasil”.

“Dádiva de Deus”

Assim como no evento de lançamento do novo marco na segunda-feira, o presidente chama a descoberta do pré-sal de “dádiva de Deus”, mas novamente alerta para os perigos dela se transformar em uma “maldição” caso os recursos obtidos com sua exploração sejam mal aplicados.

“O que deve fazer um povo livre, responsável e soberano ao receber tamanha dádiva de Deus? Garantir que esta riqueza não escape de suas mãos, buscar os meios mais eficientes de explorá-la e modernizar suas leis para não repetir os erros de outros países. A história tem mostrado que a riqueza do petróleo é uma faca de dois gumes. Quando bem explorada, traz progresso para o povo. Quando mal explorada, ela traz conflitos, desperdícios, agressão ao meio-ambiente, desorganização da economia e privilégios para uns poucos. Assim, alguns países pobres, ricos em petróleo, não conseguiram jamais sair da miséria”.

Investimento na Petrobras

Usando um argumento que deverá ser recorrente no discurso petista durante as eleições do ano que vem, Lula defende que foi seu governo que tornou possível a descoberta do pré-sal ao aumentar os investimentos da União na Petrobras.

“A Petrobras chegou aí, entre outros motivos, porque este governo acreditou e investiu, dando condições para que ela aumentasse a produção, encomendasse plataformas, sondas, modernizasse e ampliasse refinarias, treinasse e contratasse funcionários. Além de construir uma grande infra-estrutura de gás natural e entrar na área de biocombustíveis. O coroamento deste esforço foi exatamente a descoberta, pela própria Petrobras, das reservas do pré-sal. Um feito extraordinário, que encheu de admiração o mundo e de orgulho os brasileiros”.

Partilha de exploração

O presidente também saiu em defesa do regime de partilha de exploração das reservas proposto no novo marco e classificou como um “erro grave” a manutenção do sistema de concessão.

“A principal mudança que estamos propondo é que, nas áreas ainda não exploradas do pré-sal, passe a vigorar o modelo de partilha. (...) O modelo de concessão, que foi adotado em 97, não se adapta a nova situação. Seria um erro mantê-lo no pré-sal. Um erro grave. Ele foi implantado quando não sabíamos da existência de grandes reservas e o País não tinha recursos para explorar seu petróleo”.

Veja, ouça e leia a íntegra do pronunciamento de Lula para o Dia da Independência.

http://www.youtube.com/watch?v=NiCRjvVIIHY&eurl=http%3A%2F%2Fwww.vermelho.org.br%2Fnoticia.php%3Fid_secao%3D1%26id_noticia%3D115176&feature=player_embedded

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Há 40 anos morria o líder vietnamita Ho Chi Mihn



Ho Chi Minh, um dos grandes revolucionários, estrategistas militares e estadistas do século 20, nasceu em 19 de maio de 1890 na província de Annam, tendo falecido em 2 de setembro de 1969 em Hanói, capital do Vietnã. O seu nome verdadeiro, Nguyen Sinh Cung, ficou pouco conhecido.

Ele era pródigo em pseudônimos, usados para despistar inimigos. Quando se alistou no navio que o levou à Europa, usou Nguyen Van Ba. Já na liderança do Partido Comunista da Indochina, criou o jornalista Tran Dan Tien, para se auto-entrevistar e divulgar as suas ideias. O apelido Ho Chi Minh possui duas acepções. Muitos defendem que este era o nome de um mendigo. Outra corrente afirma que Ho Chi Minh significa "aquele que traz a verdade" ou "aquele que ilumina", e por isso foi escolhida como alcunha oficial.

Em 1911, começa a trabalhar como cozinheiro num navio francês, visitando o mundo todo, inclusive o Brasil. Instala-se em Londres em 1915. Com 21 anos, parte para a França, onde vive como jardineiro e garçom. Envolve-se com os movimentos socialistas franceses e, em 1920, ajuda a fundar o Partido Comunista Francês. Em 1923 vai para Moscou estudar táticas de guerrilhe e entra para o Comintern, seção internacional do Partido Comunista bolchevique. Dois anos depois, é enviado para a China, de onde é expulso em 1927. Em Hong Kong passa a dirigir o movimento antiimperialista na Indochina, dominada pela França desde 1854. Em 1941 funda a Liga pela Independência (Vietminh), para lutar contra os franceses.

Durante a Segunda Guerra Mundial, utiliza a guerrilha no combate aos japoneses, invasores da Indochina. Ao fim do conflito, forma um Estado independente ao norte da região, o Vietnã. A França contra-ataca e a Guerra da Indochina só termina em 1954, com a vitória do Vietminh. O país é dividido em dois. Ho Chi Minh, presidente do Vietnã do Norte, treina e apoia as forças da Frente de Libertação Nacional do Vietnã do Sul (Vietcong), que visam reunificar o país, o que leva à Guerra do Vietnã. Em 30 de abril de 1975 um tanque norte-vietnamita entrou no palácio presidencial do regime sul-vietnamita em Saigon, (hoje Ho Chi Minh), apoiado pelos Estados Unidos, encerrando mais de dez anos de sangrento conflito.

Dois dos grandes momentos da vida de Ho Chi Minh foram sua vitória sobre os franceses na Batalha de Dien Bien Phu e a vitória sobre os Estados Unidos na Guerra do Vietnã.

O comandante das tropas francesas no Vietnã, general Navarre, havia construído uma fortaleza em Dien Bien Phu para conter a rota de fuga dos vietnamitas para o Laos e forçar uma batalha frontal. Em contrapartida o general Vo Nguyen Giap (ainda vivo com 99 anos), braço direito de Ho Chi Minh, em brilhante estratégia, cercou a fortaleza de Navarre com trincheiras. O combates tiveram ínicio em março de 1954 e mais de 70 mil soldados do Vietnã acabaram encurralando o inimigo. Os franceses foram atacados pela artilharia, enquanto seus helicópteros e aviões eram alvos de baterias anti-aéreas. A resistência durou 57 dias. Mais de sete mil soldados franceses morreram e 11 mil foram capturados. A França estava totalmente derrotada.

A Guerra do Vietnã que perdurou por quinze anos, marcada por façanhas heroicas e tragédias, que a literatura, o noticiário e a cinematografia ressaltaram, alcançou proporções catastróficas. Cerca de dois milhões de vietnamitas, soldados e civis, pereceram. Os Estados Unidos perderam 58.224 soldados e, ainda, levaram para casa mais de 150 mil feridos.

Fonte: www.vermelho.org.br

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Ditadura da Grande Mídia: quais os interesses dos "barões das comunicações" no Brasil e no mundo?

Debate da UJS - Quarta 02/2009 - Departamento de Economia Rural - UFV.



Ditadura da Grande Mídia


quais os interesses dos "barões das comunicações" no Brasil e no mundo?








Textos auxiliares:

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Gilson Caroni: Ibope, Globo, Folha e a metodologia do golpismo

Desde as eleições presidenciais de 1989, os "magos" de institutos de pesquisa são tratados pela grande imprensa como grãos-senhores da opinião pública, cientistas políticos dotados do preceito positivista da infalibilidade. Era de se esperar que os especialistas adulados soubessem que cair no canto da sereia midiática pode conduzir suas naus à boca do Adamastor ou espalhar-se no invisível Cabo das Tormentas.

Por Gilson Caroni Filho, no Observatório da Imprensa

A entrevista concedida pelo presidente do Ibope Carlos Augusto Montenegro à revista Veja (edição 2127, de 26/8/2009) bate de frente com o rochedo da verdade, lançando uma nuvem de suspeita sobre os rigores científicos de futuras pesquisas, seus modelos matemáticos e estatísticos.

Ao afirmar que "sem o surgimento de novas lideranças no PT e com a derrocada de seus principais quadros, o presidente se empenhou em criar um candidato, que é a Dilma Rousseff. Mas isso ocorreu de maneira muito artificial. Ela nunca disputou uma eleição, não tem carisma, jogo de cintura nem simpatia", Montenegro incorreu em erro primário. Ou o narcisismo excedeu os limites toleráveis, ou a má-fé já não se preocupa em vestir disfarces.

Um "pesquiseiro" pode ter uma expectativa a priori sobre os resultados (ou ninguém testaria hipóteses) e expô-la ao cliente – confidencialmente. Até deve, se achar que não é recomendável gastar tempo, dinheiro e esforço com pesquisa redundante. Mas não é disso que tratamos. É de coisa bem distinta. É do que diz o presidente de uma instituição com conhecidos vínculos com corporações midiáticas a uma revista que não esconde o protofascismo de sua linha editorial.

Dados, só com sondagem realizada

Ao emitir juízo de valor sobre a ministra Dilma que, apesar das evidências, ainda não confirmou sua pré-candidatura, o analista incorreu em duplo erro: ético e metodológico. Quando diz que Dilma não dispõe de carisma, simpatia ou jogo de cintura, Montenegro parece ter se esquecido que sua empresa vai ser solicitada a fazer pesquisa de opinião sobre o objeto dos comentários. Suas afirmações podem criar uma pré-percepção de predisposição. O que, convenhamos, é um desastre para a credibilidade do grupo que preside.

Em outro trecho, quando perguntado pelo jornalista Alexandre Oltramari sobre as possibilidades das candidaturas aventadas até o momento, o economista, habituado a realizar pesquisas em diversos setores, vaticina: "Faltando um ano para as eleições, o governador de São Paulo, José Serra, lidera as pesquisas. Ele tem cerca de 40% das intenções de voto. Em 1998, também faltando um ano para a eleição, o líder de então, Fernando Henrique Cardoso, ganhou. Em 2002, também um ano antes, Lula liderava – e venceu. O mesmo aconteceu em 2006."

Lorota. Em 1994, pesquisa sobre intenção de voto do Datafolha dava 41% para Lula contra 19% para FHC. O tucano ganhou o pleito no primeiro turno. Em 1998 e 2006 tivemos reeleições e os favoritos eram os candidatos a elas, respectivamente FHC forte (cf. "estelionato cambial") e Lula, se não diretamente enfraquecido, pelo menos alvejado pelo "mensalão". Coisa bem diferente de agora.

Montenegro deveria saber que só tem que apresentar dados em cima de um parecer quantitativo que foi extraído de sondagem efetivamente realizada. Do contrário, como faz nessa entrevista, parece querer induzir futura pesquisa ou dar uma opinião pessoal, já dizendo, mesmo antes de fazê-la, qual vai ser o resultado. Conspiracionismos à parte, algo soou estranho nas "amarelinhas" da revista dos Civita.

Uma notinha indispensável

Nossa grande imprensa progride. Já havia abandonado a verdade factual para fazer campanha. Agora, faz pouco da verdade textual também.

A Folha de S.Paulo ("Apoio de petistas a Sarney é insustentável, diz Marina", 23/08, página A4) falseia (deliberadamente?) as palavras da senadora Marina Silva.

Diz o texto de Marta Salomon: "[Marina Silva] lançou mão de personagens da Bíblia para comparar a candidatura Dilma Rousseff e uma candidadtura pelo PV à luta entre o gigante Golias e Davi." Diz a senadora: "(...) não imagino que a candidatura do PT é Golias e nem tenho a pretensão de ser o Davi (...)." Portanto, e ao contrário do afirmado no texto redacional, a senadora "lança mão de personagens da Bíblia" para expor como descabida tal comparação.

O Globo já foi obrigado, no sábado [22/8], a se retratar pela manchete falsa da véspera, denunciada pela senadora no plenário do Senado, com transmissão ao vivo pela emissora da Casa. A Folha, que tem por política não se retratar de falsidades, vai esperar também ser – merecidamente – denunciada de público?

A profissão de fé jornalística nunca esteve tão em alta.


Globo X Record; precisamos de uma CPI da mídia

"A lavagem de roupa suja entre as duas maiores emissoras do país [...] cria a oportunidade ideal para as forças organizadas da sociedade, engajadas na luta pela democratização da comunicação, também exigirem a instalação de uma CPI para averiguar tais irregularidades", escreve Altamiro Borges em seu blog.* Confira a íntegra

A “guerra nada santa” travada entre as TVs Globo e Record comprova que existe algo de muito podre no reino dos poderosos e impenetráveis impérios midiáticos do país. Os barões da mídia, por razões políticas e na busca por audiências sensacionalistas, adoram impor a instalação de Comissões Parlamentares de Inquéritos. A “presunção de culpa” se sobrepõe à “presunção da inocência”, inscrita na Constituição, e reputações são jogadas na lata de lixo da noite para o dia. A agenda política fica contaminada pelo denuncismo vazio, que rende pontos no Ibope e novos anunciantes, e que ofusca o debate sobre os problemas estruturais da democracia brasileira.

O processo sui generis de concentração da mídia nativa e sua alta capacidade de manipulação de corações e mentes são, de fato, graves atentados à democracia. A lavagem de roupa suja entre as duas maiores emissoras do país, num caso inédito de transparência no setor, revela que há muito a se apurar sobre a ditadura midiática.

Ela cria a oportunidade ideal para as forças organizadas da sociedade, engajadas na luta pela democratização da comunicação, também exigirem a instalação de uma CPI para averiguar tais irregularidades. Impõe a vários parlamentares, hoje alvos da fúria midiática, uma revisão deste poder descomunal. E não faltam motivos para esta justa demanda.

A sensível questão religiosa

Liderando uma “cruzada” que reúne os jornalões Folha e Estadão e a revista Veja, a Rede Globo tem exibido para milhões de telespectadores várias denúncias contra a sua principal concorrente. Com base numa denúncia do Ministério Público de São Paulo contra Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), a TV Globo tem apresentado exaustivamente matérias que comprovariam formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito. Willian Bonner e Fátima Bernardes, o casal-âncora do Jornal Nacional, o noticiário de maior audiência no país, não se cansa de mostrar os vínculos entre o Edir Macedo e a Rede Record.

As reportagens globais também procuram explorar a sensível questão religiosa, acusando a Iurd, que possuí 8 milhões de fiéis no Brasil e igrejas espalhadas por 174 países, de desviar dinheiro das doações para compra de imóveis suntuosos, carros importados e emissoras de rádios e TV. “Edir Macedo deu outro destino ao dinheiro doado à Igreja Universal”, acusou Fátima Bernardes no Jornal Nacional. Com várias imagens das pregações feitas nos cultos, a TV Globo insiste que “a religião é apenas um pretexto para a arrecadação de dinheiro”. Os ataques são duros e diários.

Golpismo e irregularidades

Como resposta, a TV Record tem exibido para milhões de brasileiros inúmeros fatos irrefutáveis que só uma minoria conhecia. Aproveitando-se da vulnerabilidade política da concorrente, ela mostrou que a Rede Globo é cria da ditadura militar e que construiu seu império graças ao apoio decidido dos generais golpistas. Celso Freitas e Ana Paula Padrão, os âncoras do Jornal da Record, que já estiveram do outro lado do front, lembraram as fraudes para impedir a vitória de Leonel Brizola ao governo do Rio de Janeiro, as manobras para esvaziar a mobilização popular pelas Diretas-Já, a fabricação do “caçador de marajás” e as várias investidas para desestabilizar o governo Lula.

Mas a TV Record não ficou somente no campo da política – como a concorrente também não se limitou à discussão religiosa. Ela também apresentou inúmeras denúncias de irregularidades. Já na sua origem, o acordo misterioso com a empresa estadunidense Time-Life, numa transação que era proibida pela lei brasileira e que rendeu milhões de dólares à TV Globo. Depois, na aquisição suspeita da TV Paulista, num negócio com documentos falsos. O ex-ministro das Comunicações, Euclides Quandt de Oliveira, também garantiu numa entrevista que a Globocabo contraiu empréstimos irregulares na Caixa Econômica Federal e no BNDES, em 1999, no valor de R$ 400 milhões. Outra bomba foi a denuncia de que a TV Globo ocupa um terreno da Secretaria de Planejamento de São Paulo, numa relação promíscua com o governo tucano de José Serra.

Apuração rigorosa das denúncias

Como se observa, as denúncias de ambos os lados são graves e exigem rigorosa apuração. Em função da “guerra nada santa” entre as duas principais emissoras de televisão do Brasil, o tema hoje está na boca do povo – o que é saudável para a democracia.

Uma Comissão Parlamentar de Inquérito sobre a mídia contribuiria para investigar a veracidade dos fatos. Além disso, a CPI seria uma importante alavanca para o debate sobre a urgência da democratização dos meios de comunicação no país. Afinal, as emissoras privadas usufruem de uma concessão pública. Elas não podem ficar acima das leis, da Constituição e da Justiça.

Fonte: http://altamiroborges.blogspot.com/




Mauricio Dias: Uma imprensa antidemocrática

A imprensa brasileira tem sido adversária histórica das instituições representativas do País.” Essa frase, um dos mais duros veredictos já feitos sobre a imprensa brasileira, é de Wanderley Guilherme dos Santos, professor aposentado de teoria política da UFRJ, fundador do Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro (Iuperj) da Universidade Candido Mendes, e consagrado pela Universidade Autônoma do México, em 2005, um dos cinco mais importantes cientistas políticos da América Latina.

Ela é parte do começo de uma conversa em torno da histórica tendência golpista da imprensa brasileira, que começa assim: “Com o fim da Segunda Guerra Mundial terminou também o Estado Novo brasileiro, ditadura civil que se iniciara em 1937. No mundo todo, mas em particular no Brasil, as elites políticas tradicionais se viram acompanhadas por um eleitorado em torno de 7 milhões, mais de dez vezes superior ao da Primeira República, e um movimento sindical legalizado e participante de algumas estruturas estatais, como os institutos de pensões e aposentadorias dos trabalhadores urbanos”.

Segundo ele, a imprensa brasileira “sem embargo da retórica democrática”, tornou-se a principal adversária das instituições representativas.

“A exemplo de toda a imprensa, denominada grande, latino-americana, “jamais hesitou em apoiar todas as tentativas de golpe de Estado, quando estas significavam a derrubada de presidentes populares ou o fechamento de congressos de inclinação mais democrática”, denuncia Wanderley Guilherme.

“No Brasil – prossegue –, não existe um só jornal de grande circulação que se posicione a favor dos respectivos congressos nacionais, nas esparsas ocasiões em que estes parecem funcionar.”

Por outro lado, ele anota que “toda vez que a direita recrudesce nas urnas, sempre encontra a simpatia midiática”.

“No Brasil, o único período em que o governo contou com o respaldo de algum jornal de certa respeitabilidade foi durante o segundo governo Vargas, com a Última Hora. Não houve um único jornal popular, de grande circulação no Brasil, durante esse período”, diz Wanderley Guilherme.

Última Hora também foi o único reduto jornalístico contra o golpe de 1964, que toda a mídia apoiou. Sem qualquer constrangimento.

Conceitualmente, ele lembra, a imprensa, além de ser um instrumento de difusão de informação e análise, é um ator político “na medida em que forma opinião, agenda demandas e que, eventualmente, beneficia ou cria obstáculos para governos”.

Wanderley Guilherme comenta: “A imprensa brasileira exerce, e tem todo o direito, de ter opinião e preferências políticas. No Brasil, no entanto, ela diz que apenas retrata a realidade. É falso. Há muito da realidade que não está na imprensa e há muito do que está na imprensa que não está na realidade”.

Não é novidade no mundo democrático. Novidade, como explica Wanderley Guilherme, é presumir e passar a impressão de que isso não acontece.

“A imprensa brasileira não tolera a ideia de governos independentes, autônomos em relação às suas campanhas. Isso implica um caminho de duas mãos. Significa que ela terá de sobreviver sem os governos. Então, é preciso que os governos precisem dela”, conclui.

É um retrato do momento que o Brasil atravessa no alvorecer do século XXI.

Mauricio Dias é colunista da revista CartaCapital, onde este artigo foi publicado originalmente


Emerson Leal: A mídia e as bases dos EUA na Colômbia

El País é o principal jornal da Espanha. Algo assim como o Estadão ou a Folha de S. Paulo. É o jornal da elite dominante espanhola. Para variar, conservador e de direita também. No seu número de 03/08 traz duas matérias sobre a segunda fase do Plano Colômbia e as bases militares que os EUA vão instalar no país. Até aí, ‘tudo bem’. O impressionante é que um jornal do peso do El País analisa o problema única e exclusivamente pela ótica do governo colombiano e do Departamento de Estado americano.

Ou seja, é parcial e, portanto, não informa de fato. O jornal, pura e simplesmente, não expressa o ponto de vista da oposição ao presidente narcoterrorista Álvaro Uribe.

por EMERSON LEAL*

El País, por exemplo, não comenta o posicionamento da coligação de centro-esquerda liderada pelo senador Gustavo Petro, orador de peso que não tem medo de, em seus discursos, chamar Uribe de “terrorista de paletó e gravata”. El País não diz nada também sobre outro político colombiano de destaque – Rafael Pardo – que, ao criticar seu presidente no jornal El Espectador, se expressou assim sobre o problema: “As bases americanas podem ser interpretadas como ato hostil a países vizinhos”; e faz silêncio absoluto sobre as posições da senadora Piedad Córdoba que denuncia organizações paramilitares que, sob a proteção de Uribe, já assassinaram e desapareceram com centenas de dirigentes sindicais e militantes de esquerda na Colômbia.

El País supervalorizou a (des)informação de Uribe sobre as armas suecas ‘ultramodernas’ que o presidente Chávez teria repassado aos guerrilheiros das Farc. Tão ‘modernas’ que, há quase vinte anos atrás, quando elas foram vendidas ao então presidente venezuelano, já eram consideradas obsoletas na Suécia. El País não se deu sequer ao trabalho de publicar a versão de Chávez sobre a questão. Por outro lado, modernas mesmo são as armas que os EUA colocam à disposição de Uribe: são mais de US$ 5 bilhões, nessa segunda fase do Plano, grande parte para o maior exército da América latina – o colombiano.

Mas, não é só o jornalão espanhol que analisa o problema de forma tão parcial. Miriam Leitão, por exemplo, ao comentar a última reunião da Unasul – que Uribe boicotou – tentou justificar a atitude pusilânime do presidente colombiano. Começou por desvalorizar ao máximo o evento dizendo claramente que ele não serviu para nada e que os mandatários maiores da Região perderam seu tempo discutindo problemas ‘sem importância’, como o da instalação das bases. Pode?

A repórter da Globo ‘esquece’ de que a IV Frota norte-americana, cujo alcance chega ao Pré-Sal, foi reativada; que a Venezuela é um dos maiores produtores de petróleo do mundo e que os EUA assassinaram, direta ou indiretamente, dois milhões de iraquianos em duas invasões para roubar o petróleo do Iraque. Portanto, é imperioso que a Venezuela – que tem um exército inferior ao da Colômbia – se arme para evitar massacres semelhantes. Da mesma forma o Brasil, pois o Pré-Sal já está provocando a cobiça do Tio Sam.

Uribe tenta, agora, jogar na ofensiva. Diz que vai participar da próxima reunião da Unasul na Argentina em 28/08/2009 e que não admite ser questionado sobre as bases. Se o for – diz –, exigirá que se coloque na pauta da reunião três itens: “tráfico ilegal de armas; corrida armamentista na Região e terrorismo”. Tudo de acordo com a cartilha do Departamento de Estado dos EUA.

El País não disse nada também sobre a seguinte questão: o objetivo do Plano Colômbia seria combater as Farc e o tráfico de drogas. O levantamento feito por uma entidade européia independente contraria totalmente as informações de que, em sua primeira fase, o Plano teria sido “um êxito” na questão do tráfico – como afirmam Uribe e o Departamento de Estado norte-americano. Tudo mentira!

Os objetivos, como sempre, são geopolíticos. E Uribe, de ‘poodle’ de Bush que era, continua sendo um eficiente ‘poodle’ do Império Americano.


*Doutor em Física Atômica e Molecular e vice-prefeito de S. Carlos.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Debate da UJS 26/08/2009 - Economia Rural - UFV

Golpe de Estado em Honduras.
O que está por traz desse novo ataque a democracia???




Na Próxima quarta a União da Juventude Socialista - Viçosa - MG, convida todos a participarem do debate "Golpe de Estado em Honduras", que será realizado no Departamento de Economia Rural da UFV a partir das 19:00. Como debatedor teremos o ex-diretor da OCLAE - Organização Continental Latino-Americana e Caribenha de Estudantes - Luciano Rezende.




Texto auxiliar:

Honduras: "Golpe levou ao povo consciência da luta de classe"

O golpe militar articulado pelas oligarquias nacionais hondurenhas fez com que o povo hondurenho se conscientizasse da luta de classes que existe em seu país. Este é o ponto de vista do líder da resistência pacífica ao golpe em Honduras, Gilberto Rios, que desde o início da investida militar tem articulado manifestações pacíficas em todo o país e, em visita ao Brasil nesta semana, concedeu entrevista exclusiva sobre o golpe.

Apesar de o presidente deposto Manuel Zelaya ter chegado a incitar o povo hondurenho a pegar nas armas para derrubar o governo militar, a resistência popular no país tem sido pacífica. Todos os dias, multidões saem de suas casas e unem-se nas ruas para manifestar contra o golpe, num movimento que, de acordo com Rios, não para de crescer. “Hoje geralmente tem 100 mil pessoas na rua, às vezes chega a meio milhão”, conta.

A mobilização, segundo Rios, não aumentou somente quantitativamente, mas também qualitativamente. “Antes da consulta (que foi o argumento dos militares para derrubar Zelaya), falava-se em aprofundar a democracia. Agora, fala-se em um governo sem oligarcas, fala-se da luta de classes”, aponta o militante. Brincando, ele diz que o golpe “ajudou a mobilização” do povo hondurenho.

Confira a íntegra da entrevista de Gilberto Ríos à Revista Fórum:.

Depois de quase dois meses do golpe em Honduras, como está a resistência do povo? Quais são os grupos sociais envolvidos?

Depois de 52 dias, quase dois meses de resistência, temos mais pessoas nas ruas, indo contra as previsões de que iria diminuir. Os trabalhadores principalmente, mas há muitos estudantes e também professores universitários, do primário e secundário, que se incorporaram ao movimento das ruas.

Mas, em nível nacional, é bastante diversa e ampla a participação que há. Na zona ocidental, por exemplo, há muita participação indígena. Na região onde o presidente estava há muitos aldeões, aos quais também se juntaram desempregados e pessoas que trabalhavam diretamente com o presidente.

Há o partido liberal, toda a esquerda está nas ruas, todos os movimentos sociais suspenderam seus trabalhos e agora estão dedicados somente ao protesto contra o golpe. Ao contrário do que esperávamos, o povo respondeu muito mais e cada vez vemos mais pessoas na luta. Hoje, geralmente um protesto tem 400 mil pessoas na rua, às vezes chega a meio milhão.

Como estão as condições do povo, agora depois do golpe?

No momento, não faltam suprimentos de alimentação, nem há nenhum problema com os serviços básicos. O que existe é uma forte censura de todos os meios de comunicação. Só se transmite a voz do Estado. É mais provável que os estrangeiros entendam mais do que está acontecendo em Honduras do que os próprios hondurenhos.

A manifestação midiática está alegre com a morte de civis, como no franquismo. A origem do golpe no fascismo é evidente. Na década de 1940, (Roberto) Micheletti foi à Itália para se juntar numa coluna de Mussolini. Mas hoje a população não está em condições mais precárias do que as que já vivia: pessoas com fome, que não têm sapatos e caminham todo dia nas ruas. Nós estamos buscando estratégias para hidratar as pessoas, para nutri-las melhor e vitaminar a luta.

A embaixada dos EUA já afirmou que pode ofertar armas à população caso ela queira se envolver no conflito armado. Por que a resistência se mantém pela via pacífica?

Para a indústria estadunidense não lhe serve a resistência pacífica. Só lhe interessa se houver demanda de armas e que haja conflito armado, porque isso contribuiria com a economia do país, que ultimamente não anda muito bem. Além do que, é uma boa retaguarda para a ofensiva que os Estados Unidos planejam contra a Venezuela. Para se ter uma idéia, Honduras corresponde a 0,3% da economia dos Estados Unidos, e eles representam para nós 80% de nossas exportações. Como se diz, o país que compra, manda, e o país que vende, serve.

Você acredita então que os Estados Unidos já sabiam do golpe e participaram dele?

Claro. Até a ultra-direita norte-americana disse que quem apoia e está se encarregando do golpe é a CIA. Precisamos lembrar que ainda enfrentamos uma escalada militar no Oriente Médio, que a própria população norte-americana não aprova.

Então se precisava de um novo espetáculo militar. Os Estados Unidos precisam de uma guerra em Honduras para intervir militarmente. Por isso continuamos mantendo a resistência pacífica. Em algum momento teremos que usar armas, mas em um momento específico.

Qual é sua avaliação do governo Zelaya? Havia uma caminhada em direção ao socialismo? Agora a alternativa é somente socialista?

Havia um processo de reforma capitalista importante, porque em Honduras a oligarquia tinha muito controle da economia e uma dominação tremendamente ideológica sobre a população. A oligarquia hondurenha concentra 90% da renda em torno de dez famílias. Houve três vias pelas quais se deu a acumulação de capital da oligarquia hondurenha: a primeira foi pelo roubo direto do Estado; a segunda foi pela superexploração; e a terceira foi pelo narcotráfico.

Antes da consulta, se falava em aprofundar a democracia. Agora, fala-se em um governo sem oligarcas, fala-se da luta de classes. Antes, as pessoas acreditavam na democracia, e o golpe introduziu nas pessoas a consciência de classe.

Então a consciência política do povo aumentou com a mobilização pós-golpe?

Sim. Pode-se dizer que, em porcentagem, as pessoas que participavam da resistência ao golpe e manifestavam-se nas ruas era muito baixo. Agora, a maioria das pessoas tem participado do debate político e está a favor das forças sociais mais importantes. Pode-se dizer que o golpe, do ponto de vista da esquerda, contribuiu enormemente para a incorporação de pessoas à luta.

Como está a ajuda internacional para o país? A maioria apoia o golpe ou a resistência?

Há dois tipos de ajuda internacional: a oficial, através do governo, que agora está paralisado porque nenhum governo do mundo reconhece o governo de Micheletti; e o apoio internacional à resistência. Basicamente o apoio à resistência é moral, e isso anima muito os hondurenhos a continuar nas ruas porque entendem que a luta exemplifica o que deve ser a luta popular contra ações como a que foi tomada pela oligarquia.

Houve participação da Igreja no golpe?

Toda a Igreja Católica apoiou o golpe e a igreja evangélica também. São da igreja evangélica os mais ligados à classe dominante. O representante máximo da Igreja Católica, o Cárdena, só ele tem uma fortuna de US$ 40 milhões. Ele é “a” oligarquia de Honduras.

Fonte: Revista Fórum